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 "Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar."  

 Autor desconhecido


Cinema (DVD): Irreversível

Capa do DVD do filme

Imagem: http://www.uli.com.br/cinema/fotos/irreversivel.jpg

Irreversível, para quem não se lembra, é aquele comentado filme que causou alvoroço em Cannes devido a uma cena de estupro de quase 10 minutos de duração sem cortes. "Gratuito" ou "Repulsivo" foram alguns dos adjetivos que o filme levou para casa. Mas será que o filme é tão terrível assim?

Dirigido por Gaspar Noé, Irreversível conta a história de Alex (interpretada pela estonteante Monica Bellucci), uma bela jovem que, após brigar com o namorado Marcus (Vincent Cassel), em uma festa, resolve voltar sozinha para casa. No caminho ela é atacada por um homem enfurecido que a estupra e a espanca brutalmente. Marcus e o ex-marido de Alex, Pierre (Albert Dupontel), partem, então, atrás do culpado.

A direção é ousada e o filme é perturbador tanto pela forma "natural" como mostra acontecimentos violentíssimos, como pela câmera que quase nunca faz um movimento normal. Ela gira, dá piruetas, sobe e desce ao redor dos personagens de formas inusitadas. Isso sem falar que o filme é narrado de trás para frente. Isso mesmo, mais radical que o excelente e interessante Amnésica, de Christopher Nolan, a película começa pelos créditos retrocedendo.

Pôster alternativo com a polêmica cena do estupro

Imagem: http://www.girodivite.it/giro/images/img2002/risonanze/irreversible.jpg

E a tão falada cena de estupro? É terrível. Ela dura, realmente, uns dolorosos e angustiantes 10 minutos. E da forma como foi filmada, parece que o diretor deixou a câmera no chão e somos obrigados a ver uma cena sem poder fazer nada. É tão triste, tão cheia de sofrimento que nos comovemos pela personagem sem mesmo conhecê-la. Isso é interessante: como o filme é narrado de trás para frente, a cena do estupro é a primeira em que Alex aparece. Retrocedendo, vamos conhecendo melhor a personagem e temendo por ela por sabermos qual o seu destino.

Porém, há outras cenas tão ou mais violentas do que essa. Há uma, por exemplo, em que Pierre detona o rosto de um homem com um extintor. Como a câmera faz um movimento que acompanha o movimento do extintor, a violência é ainda mais acentuada. Como diriam os críticos de Cannes, doentio. Não sei se gratuito, mas doentio.

"O tempo destrói tudo" é o mantra que o filme pronuncia em seu início e seu final, mas não adianta explicar. Cada espectador tirará suas próprias conclusões a medida que os eventos se sucedem (ou se antecedem), após conhecerem aqueles personagens, suas motivações, segredos e sonhos. Estamos sujeitos a forças que não podemos controlar. O tempo é irreversível.



 Escrito por Khêder Henrique às 18h21
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Cinema: Homem-Aranha 2

Peter Parker tece a sua teia

Imagem: http://www2.uol.com.br/heroi/imgs/spiderm2_32.jpg

É impossível acompanhar as aventuras do jovem Peter Parker no cinema e não se identificar com alguns dos dramas deste carismático personagem. Assim como é impossível sair do cinema sem gostar do filme Homem-Aranha 2.

A película faz jus ao termo "o super-herói mais humano dos quadrinhos" mostrando não um herói mascarado apenas, mas o ser humano por trás desta máscara. Certamente por isso, o diretor Sam Raimi tentou - com sucesso - mostrar mais o rosto do ator Tobey Maguire, que dá vida ao herói, quando está usando o uniforme do Aranha. Até mesmo durante algumas das espetaculares cenas de ação do filme.

O "vilão" Doutor Octopus foi uma decisão acertadíssima para o sucesso da trama. Muito mais interessante que o Duente Verde a la Jaspion do primeiro longa, este inimigo do Aranha tem um objetivo definido e pessoal. Ele não possui nada contra o herói, em particular. Ele só não admite que alguém se coloque em seu caminho.

 

Amor e Ódio: a eterna paixão Mary Jane e o terrível inimigo Doc Oc

Imagem: http://spiderman.sonypictures.com/bugle/photos/images/sm2_mj06377_thumb.jpg

Imagem2: http://spiderman.sonypictures.com/bugle/photos/images/sm2_docock_vd16_thumb.jpg

A comédia está ainda mais presente nessa seqüência, mas o romance e a aventura - tão importantes para o primeiro filme - continuam ali. Ainda bem. Todos esses caminhos que a história percorre são necessários para montar um painel maior que aproxima a vida daqueles personagens de nós. E isso, de fato, acontece. Sim, um herói que se balança a 160 Km/h a alguns metros de altura pode ser algo irreal, mas os dramas humanos presentes ali não são.

Outra decisão acertada do diretor foi passar o roteiro pela mão de várias pessoas. E, segundo a revista SET, pedir para dois distintos roteiristas criarem histórias paralelas e, um terceiro, mesclá-las. O roteiro ficou mais completo, saboroso e cheio de surpresas. Há cenas e diálogos incríveis que nem o mais desconfiado dos fãs esperaria.

 

O herói dando umas voltinhas por Manhattan

Imagem: http://www.omelete.com.br/imagens/cinema/artigos/homem-aranha_2/5.jpg

Imagem 2: http://spiderman.sonypictures.com/bugle/photos/images/sm_crawl_thumb.jpg

Na história, dois anos se passaram após os eventos mostrados no primeiro longa e Peter Parker continua levando uma vida dupla e está tendo problemas com seus poderes por causa do stress. Sua tia está tendo problemas financeiros (assim como ele). Sua eterna paixão, Mary Jane, estrela uma peça no teatro e sua carreira como modelo parece estar indo bem. E seu melhor amigo Harry Osborn está ainda com mais sede de vingança atrás do Homem-Aranha. Pra complicar ainda mais a vida do herói, um novo inimigo surge: O Doutor Octopus. Esse vilão deseja criar uma nova fonte de energia para a humanidade. A questão é que essa nova fonte de energia pode representar um grande problema para cidade de Nova York.

Devido ao roteiro e suas reviravoltas não posso ir muito além do que uma sinopse, mas fique atento a cena do trem. Há uma frase pronunciada por um figurante que é de dar aperto no coração de qualquer um. Ela é dita quando o herói está caído dentro do vagão. Assim como na seqüência em que Parker se liberta de sua benção/maldição (hilária) e nas participações incríveis do ator J.K. Simmons que interpreta o diretor do Clarim Diário. Realmente, um filme ótimo. A sensação de assisti-lo é a mesmo que temos quando lemos um bom gibi.



 Escrito por Khêder Henrique às 17h44
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Páginas Interessantes: Antes da Chuva

Pôster do filme que dá nome ao blog

Imagem: http://www.intergate.com.br/~cholbein/chuva.GIF

Quer visitar um blog cheio de idéias legais escrita por uma mulher inteligente? Então, o blog Antes da Chuva é um bom lugar para você. Prosseguindo com a série de posts sobre as Páginas Interessantes que indico na coluna ao lado, abordarei hoje este blog. 

O Antes da Chuva é totalmente produzido pela Marina, uma estudante e profissional de Comércio Exterior de 21 anos. Ela não gosta de ficar sem fazer nada e adora ler, estudar, tocar e, logicamente, assistir a filmes.

"Logicamente" porque o nome de sua página é o título de um ótimo filme europeu (produzido numa parceria entre França, Inglaterra e Macedônia), em 1994, que narra três histórias que se entrelaçam sutilmente. O filme é do diretor Milcho Manchevski, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e ganhou o Leão de Ouro de Melhor Filme e Melhor Ator no Festival de Veneza.

Na verdade, o blog é inspirado no filme e na mensagem que ele oferece. Isso é perceptível pra quem assistiu a película (se você não assistiu, assista) através das cores da página, dos assuntos abordados e, até mesmo, pelo perfil da autora.

O blog existe desde fevereiro deste ano e não possui uma temática definida. Marina fala (muito bem) do que ela gosta. De política a artes, Antes da Chuva percorre vários caminhos com tranqüilidade. Enfim, é uma página que vale a visita.


Visite os blogs e sites indicados pelo RR na coluna de Páginas Interessantes.



 Escrito por Khêder Henrique às 17h30
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Literatura / Histórias em Quadrinhos: A Arte de Holy Avenger

 

 

A imagem que ilustra a capa da obra

 

Ilustração: http://www.holyavenger.com.br/A_Arte_de_Holy_Avenger.jpg

 

Em primeiro lugar, é necessário esclarecer o que é um livro de arte. Falo daqueles livros que reúnam material de outra obra, da qual este livro de arte é um derivado. Muitos filmes geram um art book. A grande maioria não chega nem a ser lançada no país por falta de público. Lembro de folhear um livro desses sobre o Episódio II de Star Wars. É um livro bonito com as artes conceituais, storyboards, fotos dos sets de filmagem, desenhos que mostram o desenvolvimento dos figurinos dos personagens, enfim, um “making of” (na verdade, algo mais que um “making of”) em versão impressa. E por não serem lançados por aqui, estes livros são caríssimos já que os interessados só podem comprar edições importadas e sabemos como anda a cotação do dólar.

 

O livro A Arte de Holy Avenger é mais palpável tanto em questões financeiras quanto ao fato da sua facilidade maior em ser encontrado. E é algo sobre um produto nacional. O prestígio pela obra aumenta quando lembramos que esse mercado é altamente competitivo e cruel, ainda mais num país como o nosso em que apoios e patrocínios são privilégios para poucos. Entrar nesse tipo de mercado é ter a certeza de fazer sacrifícios, trabalhar mais pelo amor ao que se faz do que pelo retorno financeiro que é incerto.

 

A Arte de Holy Avenger traz diversos desenhos produzidos para diferentes momentos da aventura e entrevistas sobre todos os profissionais envolvidos com o mundo de Arton, onde vivem Lisandra, Sandro, Niele e Tork (os protagonistas de HÁ). Portanto, o leitor conhecerá um pouco mais sobre a desenhista Érica Awano e o roteirista Marcelo Cassaro, os responsáveis pela série regular, assim como os responsáveis por edições especiais e artistas que fizeram participações ocasionais no decorrer da aventura.

 

Não há grandes textos no livro. O que é privilegiado, obviamente, são as ilustrações que a obra traz em seu conteúdo. Essas ilustrações dividem espaço com aquelas entrevistas ping pong com os artistas e depoimentos e diálogos entre eles. Assim, a leitura é cansativa de se ler ao tentarmos fazer isso tudo de uma vez. Fica aquela troca de elogios interminável que desgasta. O divertido é descobrir curiosidades que revelam como surgiu a aparência deste personagem ou o nome daquele outro.

 

Confira o post do dia 7 de abril de 2004 que fala de Holy Avenger. E visite o site oficial, onde você pode adquirir a obra.

 


 

Título: A Arte de Holy Avenger

Preço: R$ 30,00

Editora: Talismã

Ano de publicação: 2003

Número de páginas: 96



 Escrito por Khêder Henrique às 18h15
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Literatura: A Arte da Guerra

A edição da obra publicada pela editora Martin Claret

Imagem: http://www.livrariasaraiva.com.br/imagem/imagem.dll?pro_id=455046&tam=2

Ler um clássico é uma experiência muito agradável. Enquanto se lê, tem-se aquela sensação de que "já li isso em algum lugar" praticamente a todo instante. Ainda mais quando sabemos que, na verdade, aquela obra que se lê agora, depois de outras, deveria ter sido lida primeiro, já que veio antes. E aquela sensação de dejà vu nos remete, na realidade, à própria obra que se está lendo, a inspiradora das demais. É como beber a água de um rio em sua nascente, sem estar contaminada pelos dejetos que entrou em contato no caminho até chegar a nós. Esta estranha e intrigante sensação me ocorreu quando li A Arte da Guerra, de Sun Tzu.

Trata-se de uma obra escrita há 25 séculos que aborda diversos pontos de estratégia militar. Mas da forma como foi escrita - através de curtos, porém sábios parágrafos -, a obra se apresenta como um guia para muitas situações. Suas sábias lições podem ser aplicadas em diversos aspectos de nossa vida, ainda mais no mundo competitivo em que vivemos. Os próprios comentários sobre a obra acentuam este ponto: empresários vêm utilizando o texto de Sun Tzu "como uma metáfora, no campo de batalha que se transformou a concorrência entre as empresas".

A obra é de uma leitura fácil e rápida. Por isso mesmo deve ser lida mais de uma vez. "Os Treze Capítulos" que compõem a obra são de uma simplicidade esquecida por cientistas contemporâneos que quando utilizam seus jargões esquecem-se dos leitores mais leigos e, por isso não conseguem atingi-los. Isso fica claro quando Sun Tzu explica que as combinações que se pode fazer com diferentes formas de ataque são inúmeras. Ele as compara a elementos do cotidiano:

"As notas musicais são cinco apenas, mas as melodias que com elas se podem compor são tantas que nunca as poderemos escutar todas. As cores primárias são cinco apenas, mas as suas combinações são tantas que não se podem visualizar todas"

E aquelas famosas frases de sabedoria que são pronunciadas em qualquer filme por aí retornam ao seu contexto original: "Conhece o teu inimigo e conhece-te a ti mesmo, e nunca porás a vitória em dúvida. Conhece o terreno, conhece o tempo, e a tua vitória será total".

Como toda obra escrita há muito, muito tempo, é comum existir dúvidas quanto a verdadeira autoria de um documento. Ou até a mesmo a existência desta pessoa. Em A Arte da Guerra, isso se faz presente quando notamos que todos os capítulos iniciam-se com a frase "Mestre Sun Tzu disse:". A obra então teria sido escrita por um discípulo de Sun Tzu? Esse tipo de dúvida apenas alimenta nossa ânsia de ler um clássico como esse. Mas se, de fato, esse homem existiu, sem dúvida, era um grande estrategista.

Essa edição que li da Martin Claret é bacana pela introdução de textos complementares e apêndices que nos introduzem no contexto em que a obra foi escrita e nos dão acesso ao que comentaristas de outras épocas acharam da obra. Há vários comentários que, de tão pertinentes, foram até mesmo inseridos na obra e hoje fazem parte dela.

Na introdução, sabemos que o autor James Clavell, impressionado com a obra, a situa apenas no mesmo patamar de outros dois tomos sobre os caminhos para se alcançar a vitória em diferentes formas de conflito: O Príncipe, de Maquiavel, e O Livro dos Cinco Círculos, de Miyamoto Musashi. E com razão. Assim como diversos outros escritores fazem o mesmo durante a leitura e reconhecem este livro como um clássico indiscutível. Acho que todo ser humano deveria ler uma obra dessas. O que me espanta é não tê-la lido antes.


Título: A Arte da Guerra
Autor: Sun Tzu
Tradução: Pietro Nassetti
Preço: R$ 10,50
Editora: Martin Claret
Ano de publicação: 2003
Número de páginas: 154



 Escrito por Khêder Henrique às 18h08
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   Khêder Henrique

 

 

 

Khêder Henrique mangá

 

 

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 Blog sobre cultura e comportamento produzido por Khêder Henrique

 Março - 2004

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