Histórias em Quadrinhos: Super-Homem – O Adeus

A capa da publicação
Imagem: http://www.operagraphica.com.br/a_capas/albuns/superhomem_adeus.jpg
Escrita por Alan
Moore, esta é, por muitos, considerada a maior história de todos os
tempos já produzida com o Super-Homem. É difícil
contextualizá-la, mesmo para quem entende de quadrinhos. Vamos por
partes.
Bem resumidamente, a editora
detentora dos direitos de publicação do Homem de Aço, a
DC Comics, durante anos, foi comprando editoras menores e
adquirindo novos personagens para seu universo de super-heróis. Além disso,
quando alguns roteiristas começavam a trabalhar sobre determinado personagem não
respeitavam o que o seu antecessor no cargo fizera com o mesmo personagem.
Assim, a cronologia dos heróis era uma verdadeira confusão. Não demorou muito
para este processo gerar um enorme problema: os leitores não se renovavam, pois
não entendiam as histórias. Era necessário ler anos de aventuras para entender o
que acontecia com aqueles heróis.
A DC, resolveu então, na década de
80, criar uma mega-saga chamada Crise nas Infinitas Terras que
poria fim a bagunça e tudo seria reiniciado do zero. Ou seja, conceitos
considerados ultrapassados seriam descartados (a maioria dos heróis havia sido
criada nos anos 40 e 60 quando os quadrinhos eram bem mais
inocentes), diversos personagens seriam eliminados e todas as aventuras
apresentadas até ali seriam, cronologicamente, desconsideradas. Ou,
simplesmente, aceitas como histórias imaginárias.
Isso afetou a todos os personagens
da DC. Inclusive seu maior ícone, o Super-Homem. Desta forma, o Super-pós Crise
era mais americano que alienígena do que seu antecessor, seus poderes só teriam
surgido no fim da adolescência, ou seja, esqueceram sua carreira de heroísmos
como Superboy, seu cachorro Krypto nunca teria
existido e nem sua prima, a Supermoça, já que este Homem de Aço seria o último
filho de Krypton. Entre outras mudanças.
Sim, isso tudo é muito confuso. O
que interessa é que o editor do Super na época, Julius
Schwartz, gostaria de colocar um ponto final nas aventuras do Super
pré-Crise. Para fechar com chave de ouro uma série de histórias clássicas e
lendárias ele convocou ninguém menos do que Alan Moore para escrever uma última
aventura para o herói kryptoniano e Kurt Schaffenberger e
George Pérez para ilustrá-la.
A história intitulada
Super-Homem: O Adeus narra a última batalha do Homem de Aço
contra Lex Luthor, Brainiac,
Bizarro entre outros adversários. Moore, simplesmente,
tenta amarrar as pontas soltas de anos de aventuras e por fim a uma tortuosa
cronologia em 48 páginas. E o cara consegue! Fico indignado com
uma coisa dessas.
Neste álbum em preto e branco,
lemos tudo a que gostaríamos de encontrar numa última história do Super. Desde o
embate final contra seus mais terríveis e formidáveis adversários até a
revelação para o mundo de sua identidade secreta.
Mesmo não lendo nenhuma outra
história deste Super-Homem pré-Crise, é perceptível que ele vive num mundo bem
mais inocente até para os moldes de suas aventuras e que a ficção científica
presente extrapola todos os limites. Em determinada cena, por exemplo,
Lana Lang fica tão poderosa quanto o último filho de Krypton
após mergulhar numa banheira cheia de uma água mágica
(rs).
Inocências e excessos à parte, a
aventura é emocionante em todos os sentidos que uma história em quadrinhos possa
ser. Os desenhos são estupendos e a narrativa não perde o fôlego em momento
algum.
A edição brasileira da Opera
Graphica ainda vem com uma reportagem especial de 15 páginas
assinadas por Roberto Guedes que traça um panorama da carreira
do Super nos EUA e Brasil.
Abaixo, você confere a sinopse da
aventura que diz muito em poucas palavras:
Esta é uma história imaginária
(que pode ou não acontecer) sobre um homem perfeito que veio do céu e só fez o
bem. Uma história que fala de seu crepúsculo, quando as grandes batalhas haviam
terminado, de como seus inimigos conspiraram contra ele e da batalha final nos
desertos gelados, sob as luzes do norte; das mulheres que ele amou e da escolha
que teve de fazer entra elas; de como ele quebrou seu juramento mais sagrado, e
de como, enfim, todas as coisas que ele tinha lhe foram tomadas, com exceção de
uma...
E tudo acaba num piscar de
olhos.
E, então, começa numa cidade
pacata do meio-oeste, numa tarde de verão, no futuro tranqüilo do meio-oeste.
Bem longe, na cidade grande,
as pessoas, às vezes, ainda olham, esperançosas, das calçadas, tentando avistar
uma mancha distante no céu... mas não: é apenas um pássaro, apenas um avião –
Super-Homem morreu há dez anos.
Esta é uma história
imaginária.
Mas, afinal, todas não o
são?
Acho que não preciso dizer mais
nada.
Escrito por Khêder Henrique às 20h33
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